Home Data de criação : 10/09/10 Última atualização : 12/05/05 08:12 / 51 Artigos publicados

Transferências  escrito em sábado 24 setembro 2011 07:01

Blog de vozesdeemaus :Vozes de Emaús, Transferências

Transferências 
 

Ultimamente, e não é nenhuma novidade, temos visto como pessoas que seriam "referenciais" na sociedade têm mudado suas opiniões de um momento para o outro. O que disseram ontem, não assumem hoje. Transferem responsabilidades, procuram imputar a alguma coisa ou a alguém o resultado de suas falhas, fazendo isto  sem nenhum constrangimento, como se nada tivesse acontecido. Tentarei trazer nesta reflexão a história de alguém que destacou-se na sociedade de sua época e através de seus atos refletir sobre nós e nossas ações.   Arão foi um grande homem que atuou na história do resgate do povo israelita no Egito. Sua participação foi de fundamental importância quando Moisés alegou que não teria condições de falar com Faraó. Para tanto, Deus ordenou que seu irmão, Arão, atuasse como porta voz. Passados os primeiros momentos, uma série de contatos se seguiram com Faraó sempre adiando e quebrando sua palavra. Os contatos com o líder egípcio prosseguiram e por sua dureza, o Senhor enviou as pragas que assolaram sua terra. Vale lembrar que em todos os momentos Arão esteve ao lado de Moisés, acompanhando tudo nos mínimos detalhes.   Onde queremos chegar! Depois de sair do Egito em direção a terra prometida sob o comando de Moisés, o povo Hebreu parou na base do Monte Sinai, lugar determinado por Deus, no qual Moisés subiria para receber as tábuas dos dez mandamentos. Ao sair para o encontro, ele  deixou o arraial sob a liderança de Arão, pois, Josué, seu futuro sucessor, o acompanhara até a metade do monte. Com o passar dos dias e a demora no retorno de Moisés, o povo começou a se inquietar e a pedir para Arão que fizesse algo para modificar o panorama, para que eles se alegrassem, enfim. Entretanto, neste momento de discórdias e até de balburdias, Arão é envolvido pelos pedidos e começa a jogar fora tudo aquilo que foi ensinado e que presenciara nos últimos meses de sua vida, deixando-se levar pelo que o povo, sedento de por uma farra, lhe propunha:  

"Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu". (Exôdo 32:1).

 

Veja que sobre todos os aspectos Arão estava na posição de líder, a principal representação do povo na ausência de Moisés, e foi a quem recorreram com uma proposta terrível. Por outro lado, ele poderia ter demovido a nação daquele desejo. Poderia ter lembrado o que Deus havia feito com a vida de cada um. Poderia ter dissertado sobre as dez pragas, a travessia do mar vermelho, o maná que aplacava a fome, a coluna de fogo para guiar a noite e a nuvem para protegê-los do sol, mas não. Arão preferiu deixar se levar pela maioria. Não rebuscou dentro de si aquilo que aprendera e sua resposta confirma o desejo que o povo pedia, carnalidade. O sacerdote israleita começava naquele momento a derrocada de seu ministério e a anulação de sua vida.

  "E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro, que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazei-mos. Então todo o povo arrancou os pendentes de ouro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Arão. E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Este é teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito". (Exôdo 32:2-4).

 

Além de aceitar e tomar parte na liderança da absurda proposta, a Bíblia diz que Arão recolheu as peças de ouro e trabalhou com o material de modo delicado, cuidadoso,  acabando por confeccionar uma estátua de metal, que, para agravar sua posição e o que representava, o povo no auge da loucura faz menção ao ídolo de ouro, o bezerro, dizendo que teria sido aquele objeto inanimado, sem vida alguma, que os tinha libertado do Egito. Lamentável! E tudo isto nas barbas do homem que acompanhou todo o desenrolar, o homem que atuava como sacerdote entre os homens e o Grande Deus, estava ali, bem juntinho, tomando parte e ouvindo todo aquele macabro testemunho de forma pacífica, compartilhando de gestos rebeldes. Fica uma pergunta: Onde estava Arão? Não este que fez o bezerro de ouro, mas o mesmo que serviu como porta voz de Moisés. É triste ler e vivenciar através da leitura este episódio e alinhá-lo a nossos sentimentos. Colocar-se a margem da cena e ver todos, especialmente Arão, e ficar povoando o pensamento de interrogações do tipo: Mas por quê? Qual motivo? Contudo, ao mesmo tempo lembremos que somos humanos, seres humanos iguais aos mesmos que compõem a história bíblica. Pessoas com os mesmos sentimentos, necessidades, razões, emoções. Não somos diferentes deles em nada, absolutamente em nada. Somos passivos de erros  como foram eles. Portanto, devemos olhar para este fato com o prisma da reflexão. Devemos olhar para as pessoas a nossa volta com o olhar da misericórdia, da piedade, remeter estes sentimentos para nossa área periférica e pedir misericórdia a Deus. Ao invés do olhar de juízo, um olhar de piedade para aqueles que cruzam conosco.  Arão cometeu um grave erro por não posicionar-se.  Ao invés de ser contrário aquilo que feria a Deus e seus princípios, deixou-se levar pela euforia do momento como se tudo a sua volta fosse passageiro. A nação israelita, segundo a Bíblia, saiu fora do controle.   No decorrer deste episódio, o que nos traz para reflexão em paralelo ao título, é o posicionamento de Arão, quando Moisés o questiona sobre o culto pagão que acontecia no arraial. Desprovido de quaisquer sentimentos, Arão, o cabeça, responde categoricamento dizendo: "Não se acenda a ira do meu senhor; tu sabes que este povo é inclinado ao mal. (Ex. 32:22). A resposta de Arão chega de forma natural, o reflexo que sentimos quando lemos,  é de como se nada tivesse acontecido e ele não fosse parte integrante, e literalmente transfere toda culpa para o povo. Acrescendo diz que "o povo é inclinado para o mal". A sua fuga da verdade baseada na omissão continua: "Quem tem ouro, tire-o; e eu lancei no fogo, e saiu este bezerro". (Ex: 32-24). O fato é que o estrago foi grande na população de Israel por consequencia das ações e do posicionamento de Arão. Talvez, sem maldade alguma, talvez sem intenção de promover maiores sequelas, mas a verdade é que o líder  usou de omissão e quando questionado sobre suas atitudes, trasferiu a culpa para outros.   Todavia, surge em meio a este fato a grande misericórdia do Senhor: "As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Lamentações 3:22 - Os momentos seguintes no decorrer da história nos mostra a restauração de Arão e de todos aqueles que se arrependeram de seus atos.  

 

Por fim, vejamos algumas aplicações inseridas nesse episódio as quais poderemos refletir, como líderes do lar, da igreja,  enfim, como também parte integrante de uma liderança e como liderados. Reflitamos em nós e em nossas vidas sobre o que tem nos cercado:  

- Fazer valer sua liderança, fundamentar-se na Palavra de Deus e seus ensinos.

 

- Assumir os erros por mais grave que sejam, não transferir para ninguém aquilo que sabemos partir de nós, e em seguida  buscar a reconciliação com o Senhor.

 

- Limitar-se a falar a verdade, fugir de arrodeios ou tentar camuflar a verdade.  

 

 

Arão retomou seu ministério, é fato que ficaram as chagas, apesar de fechadas, mas o acompanharam até o fim de sua vida e como consequencia não viu a terra prometida. O primeiro sacerdote de Israel também nos deixa uma história de amor e amizade com os seus, ele  foi um bom e grande homem.  

Ir. Cavalcanti IBR - Valentina - João Pessoa-Pb.

cavalcantise@yahoo.com.br

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1 comentário(s)

  • Marcelo mailto

    Sáb 08 Out 2011 17:15

    Um fato real que ocorreu a tanto tempo, mas ainda nos trás lições de vida. Ainda hoje somos levados a tomar decisões em nossas vidas por não esperar em Deus. Somos um povo impaciente que exige resultados imediatos.


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